Roteiro de Camper Van pela Nova Zelândia – Parte II

*Por Mariana e Diego Nakama

Iniciando a segunda parte do nosso relato, vamos explicar todo nosso roteiro e regiões visitadas com a camper van. Para conferir a primeira parte, clique aqui.

Roteiro de Viagem

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Trajeto percorrido com a camper van na Ilha Sul

Saímos de Christchurch e a ideia era fazer um circuito pela ilha sul, passando pela costa oeste tendo como um dos principais destinos Milford Sound, mas passamos por diversos outros lugares. Sendo assim, nosso itinerário incluiu:

  1. Arthur’s Pass (noite anterior Springfield)
  2. Hokitika (noite) e Hokitika Gorge
  3. Lago Mahinapua
  4. Franz Joseph
  5. Lago Mattheson (noite)
  6. Fox Glacier
  7. Cromwell e Lago Dunstan (noite)
  8. Arrowtown
  9. Queenstown
  10. Glenorchy (noite em Queenstown)
  11. Te Anu
  12. Milford Sound
  13. Christchurch

Arthur’s Pass

Começamos nossa jornada kiwi na terça 19/04. Nos dirigimos à Springfield, cidade próxima ao nosso primeiro destino, onde passamos a noite num camping. Na manhã seguinte, pegamos a estrada de Arthur’s Pass, que liga Springfield à costa oeste da ilha sul. Ali já tivemos nossa primeira grande impressão do que seria essa parte da viagem.

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Castle Hill, no caminho de Arthur’s Pass
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Castle Hill, no caminho de Arthur’s Pass

Castle Hill são formações rochosas de calcário espalhadas por uma imensa área com pouca vegetação, um típico cenário de filme. Perto dali, percorrendo uns 16km, outro local parecido, com muitas pedras e possivelmente até mais bonito (pelas fotos, mas acabamos não visitando), Flock Hill. Esse local foi utilizado como set de filmagens do filme “As Crônicas de Nárnia”.

Ainda seguindo o caminho de Arthur’s Pass, você vai passar por inúmeras montanhas e lagos, todos pontos de parada para curtir aquele visual. Não vou nomear todos, apenas os principais locais, mas percorrer a NZ é isso. Cada curva dá aquela vontade de parar e tirar fotos ou apenas apreciar a paisagem. Importante: Ao parar, tome cuidado pois, as estradas não têm acostamento e normalmente são de pista única.

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Lago Pearson
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Viaduto Otira

Hokitika e Hokitika Gorge

Após percorrer Athur’s Pass, chegamos à Hokitika, localizada na costa oeste da ilha sul. Chegamos lá quase no final da tarde, prontos para pegar o pôr-do-sol no mar.

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Pôr-do-Sol em Hokitika

Hokitika é uma pequena e charmosa cidade na qual pretendíamos apenas passar a noite e seguir viagem. Porém, no camping onde passamos a noite, a dona do local nos recomendou fazer duas visitas: Uma bem próxima dali, pra avistar as Glow Worms, pequenos insetos que brilham no escuro e só podem ser vistos no escuro total. E a outra sugestão foi conhecer o Hokitika Gorge, uma parte do Hokitika River que é conhecida pelas impressionantes águas azul turquesa, a cerca de 30km do centro da cidade.

Lago Mahinapua

 Saindo de Hokitika na manhã da quinta-feira 21/04, após visitarmos o Hokitika Gorge bem cedinho, fomos em direção ao sul percorrendo a parte litorânea. Logo que saímos de lá, bem no meio do caminho, nos deparamos com uma placa que indicava a entrada do Lago Mahinapua, um dos vários lagos espelhados da NZ. Decidimos fazer uma parada que não estava planejada e fomos recompensados por um cenário perfeito, para quem gosta de brincar com fotografia como eu, ou simplesmente para uma parada mais longa pra fazer um lanchinho na beira do lago.

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Lago Mahinapua

Franz Joseph e Passeio de Helicóptero

Seguindo viagem, ainda na quinta-feira, fomos em direção à Franz Joseph, um dos principais glaciares do país. Paramos para tirar a foto abaixo nessa bela vista. Bem nesse local encontramos um “agente” da empresa que operava os passeios aéreos pela região (algo muito comum nessa área dos glaciares, mas também em vários outros pontos turísticos do país). Como eu nunca havia andado de helicóptero na vida, pensei que aquela seria uma ótima oportunidade para que se um dia o fizesse, que fosse num lugar como aquele. O custo do passeio foi de 260,00 NZD por pessoa (era 290,00 pelo folder que pegamos, mas conseguimos esse desconto por ter sido recomendado pelo tal senhor no caminho) e acabou valendo muito a pena.

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Um dos inúmeros rios azul-turquesa que cortam o país e onde pegamos informações do passeio

O passeio de helicóptero dura cerca de 30 minutos e você pode ver bem de perto o Franz Joseph e também o glaciar mais extenso da NZ, o Tasman Glacier.

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Franz Joseph Glacier
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Trecho final do passeio de helicóptero

Seguindo viagem, fomos até o Lago Matheson, sem dúvida o lago espelhado mais procurado do país por aqueles que buscam aquela foto de cartão postal. O lago certamente faz jus à sua procura. Esses mirror lakes que estão espalhados pelo país normalmente apresentam uma coloração escura e são cercados de vegetação, uma combinação que deixa a água um verdadeiro espelho. Mais ao fundo da paisagem do Lago Matheson você ainda consegue avistar as cadeias de montanhas que formam os glaciares, o que dá uma composição especial para deleite dos fotógrafos.  Infelizmente não pegamos o melhor horário para as fotos no lago, pois o sol já havia se posto, mas ainda assim valeu muito a visita (procurando por fotos no Google, você terá uma ideia melhor do que realmente é o local).

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Lago Matheson

Já havia anoitecido quando terminamos a visita no lago e já que a camper estava abastecida de comida, água e energia, aproveitamos para passar a noite por ali mesmo, no estacionamento do próprio parque onde passaram a noite vários outros veículos. Isso é uma coisa muito comum de se ver por lá, pessoas levando tudo no porta malas de um carro e dormindo em locais como esse, onde o overnight camping é permitido. Outro motivo de dormir por ali foi que, assim, estaríamos próximos do nosso próximo destino, o Fox Glacier.

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Passando a noite com nosso camper van estacionado do Lago Matheson sob a luz da lua cheia

Fox Glacier e caminho até Queenstown

O glaciar Fox fica bem próximo do Lago Matheson e para lá nos dirigimos assim que o dia clareou. Você pode parar o carro no estacionamento que fica na base do glaciar e fazer uma caminhada tranquila margeando o rio que nasce no glaciar, em um caminho pedregoso mas sem grandes dificuldades, subindo parte do morro até o ponto de observação mais próximo.

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Fox Glacier, visto dos arredores do Lago Matheson

Saindo do glaciar Fox, seguimos viagem tendo como próximo destino Queenstown. A viagem até lá era longa, mas na NZ percorrer a estrada já é um passeio em si, com belíssimas paisagens por todo o caminho. Uma dessas atrações é o Lago Hawea, que se estende por um bom trecho no caminho até Crowwell, proporcionando um passeio com belas vistas.

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Lago Hawea

Antes de chegar à Queestown e para não prolongar muito a viagem desse dia, decidimos passar a noite à beira do Lago Dunstan, localizado próximo à cidade de Cromwell. Fomos até à cidade abastecer a camper e aproveitar para fazer uso de uma dumping station, onde você pode descartar as águas utilizadas dentro da van, como pia e banheiro. Essas dumping stations você encontra através do aplicativo, o Camper Mate. Feito isso, retornamos cerca de uns 2km e passamos a noite de sexta-feira 22/04, à beira do Lago Dunstan.

Arrowtown, Queenstown e Glenorchy

Deixando o Lago Dunstan, pegamos a estrada para ir até Queesntown, porém, no meio do caminho nos deparamos com uma placa que indicava o caminho até uma cidade chamada Arrowtown. Após ler um pouco no guia sobre a cidade, decidimos dar uma passada por lá, já que era muito próximo do nosso trajeto e aproveitar para incluir outra visita no roteiro.

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Paisagem de outono de Arrowtown

Arrowtown é uma pequena e belíssima cidade cercada por morros com muitas árvores que a tornam um cenário cinematográfico nessa época do ano. A cidade preserva muito da cultura mineradora que a originou, para onde muitas pessoas migraram em busca do ouro que se encontrava por lá. As casas dos moradores da época e as edificações comerciais estão até hoje muito bem preservadas em um trecho da cidade próximo ao rio, sendo um dos principais atrativos.

Toda a região de Queenstown é muito bonita, mas o cenário de outono deixou o visual ainda mais espetacular. As árvores ganham uma coloração muito viva e diversificada (entre o amarelo e o vermelho, além das que permanecem verdes), e as folhas formam um tapete colorido no chão. Em Arrowtown nos deparamos sem querer com o festival de outono da cidade, onde havia uma exposição de carros antigos, com pessoas vestidas à caráter, remontando um cenário bem típico dos anos 1950.

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Arrowtown

Quem estiver a caminho de Queenstown e puder passar por Arrowtown não perderá a viagem. Mas lembre-se, essas fotos foram tiradas no outono. A paisagem certamente será diferente em outras épocas do ano.

Após passarmos por Arrowntown, seguimos até Queenstown, um dos princiapis destinos da nossa viagem. Em Queenstown você pode realizar diversos tipos de atividades esportivas, como passeios de lancha em alta velocidade, bungee jump, mountain bike e diversas outras práticas para quem curte algo mais radical. Mas é bom preparar o bolso, já que devido ao fluxo de turistas, tudo por lá é mais caro que em outras regiões turísticas do país.

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Queenstown, um dos destinos mais procurados da NZ

Chegando a cidade fomos até o camping, onde deixamos a camper van carregando a bateria e fomos até o Skyline Queenstown. É a mesma empresa que opera o teleférico que nós utilizamos pra ver a cidade de cima no início da nossa viagem em Rotorua. A vista certamente compensa o passeio. No alto da estação há restaurantes, cafeterias e toda uma estrutura pronta receber os turistas que querem apreciar a vista da cidade pelo tempo que quiser. Lá de cima você pode também descer com o Luge, um carrinho tipo rolimã que desce parte do morro, podendo apreciar a ótima vista da cidade e ser divertir com a adrenalina da descida. Tem também as descidas de mountain bike para os mais preparados, onde você verá muitos praticantes se utilizando dos teleféricos para levar as bicicletas até o topo e depois descer apenas no embalo do morro.

Depois de apreciar a linda vista da cidade, descemos até o centro para agendar nosso passeio em Milford Sound, que é feito com os barcos. Para quem vai até Milford Sound, esse passeio deve ser agendado com antecedência para garantir as vagas, que são limitadas. No próprio centro de informações ao turista você pode comprar o passeio, que é feito por diferentes operadoras e você pode escolher o que achar melhor. Lá você também pode se informar sobre como chegar a Milford Sound, caso não esteja se utilizando de veículo próprio.

Em Queenstown acabamos não fazendo muita coisa. Boa parte das atividades que a cidade oferece são pagas e queríamos economizar um pouco nesse ponto da viagem. Mas para quem está de carro ou com camper van como no nosso caso, há vários outros lugares pra se conhecer ali na região. A visita a pé até a beira do lago vale a pena! Aos finais de semana um espaço pra se sentar no pequeno muro que o rodeia pode ser disputado, já que todo mundo aproveita pra apreciar a bela vista bem de perto.

Agendado o barco em Milford Sound e depois de caminhar pelo centro da cidade, voltamos ao camping, pegamos a camper e fomos conhecer a estrada que liga Queenstown à cidade de Glenorchy, a 40 km dali.

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Estrada que lida Queenstown à Glenorchy

Esse trecho é muito conhecido por proporcionar ótimas vistas do lago e das cadeias de montanhas que configuram a paisagem da região. Vários relatos no Trip Advisor sugeriam o passeio e de fato, valeu muito a viagem de ida e volta! O único porém foi que, o retorno foi feito durante a noite e conseguimos apreciar apenas as paisagens durante a ida, mas valeu muito conhecer. Uma das estradas mais bonitas pelas quais passamos não só pela NZ, mas dentre todas as viagens que fizemos.

Te Anau e Milford Sound

No domingo 24/04, partimos de Queenstown para um destinos mais esperados de toda a viagem, Milford Sound. No caminho até lá passamos por Te Anau, que é a última cidade antes do trecho de aproximadamente 120km de morros e montanhas até Milford. É altamente recomendado abastecer o carro de combustível por lá e passar nos supermercados da cidade. Depois dali, não há praticamente nada no caminho, então, é bom se prevenir para não passar apuros desnecessários no restante da viagem que será de ida e volta, já que, Milford Sound é o ponto final dessa estrada. Milford Sound é um local bastante isolado, com pouca estrutura comparado com outros locais. Há campings pagos, algumas pousadas e as coisas são mais caras, então, é bom se abastecer no supermercado de Te Anau mesmo.

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Lago Te Anau

Abastecida por completo a camper van, pegamos a estrada para Milford Sound. O destino é certamente um dos mais procurados do país e chegando lá, deu pra perceber exatamente a razão de tamanha procura. As fotos não fazem jus à beleza do lugar. As montanhas na chegada são costuradas por centenas de pequenas cachoeiras, decorrentes do derretimento do gelo que se acumula no topo. Dizem que quando chove na região (o que ocorre por volta de metade dos dias do ano), o desenho nas montanhas se torna ainda mais bonito. Portanto, se o tempo ameaçar “não ajudar”, não se preocupe, a região ainda vai surpreender.

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As cachoeiras das montanhas na chegada à Milford Sound

Ao final do domingo paramos para acampar no único camping apropriado para campers que há na região. Por ser o único, o preço não foi muito caro, sem contar que foi a melhor estrutura que encontramos dentre todos os que passamos a noite. O free camping não é permitido nos estacionamentos em Milford Sound, portanto, já vá planejando passar a noite por lá.

Na segunda de manhã partimos para o nosso passeio de barco, aquele que agendamos em Queenstown. O vento durante o passeio na parte de fora do barco é congelante, portanto, vá protegido o suficiente para aproveitar bem o passeio caso queira tirar o máximo de proveito da paisagem. A roupa à prova d’água é recomendada, mas os barcos oferecem casacos impermeáveis gratuitos para os que não estiverem preparados.

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Passeio de barco em Milford Sound

Retorno até Christchurch

Feito o excelente passeio de barco pela manhã, já por volta do meio-dia, iniciamos nossa viagem de volta até o nosso ponto de partida, Christchurch, onde retornamos nossa camper van e pegamos o vôo de volta para Auckland para finalizar nossa maravilhosa viagem. O caminho entre Milford Sound e Christchurch é bastante longo, cerca de 760km. Mas a viagem é em si um belo passeio, com lindas paisagens, mostrando a diversidade de cenários que a Nova Zelândia oferece para quem curte pegar uma estrada como nós.

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Estrada entre Queenstown e Christchurch
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Lago Tekapo

A nossa viagem à Nova Zelândia foi repleta de belas paisagens e surpresas que não estavam nos planos. Essa foi a grande vantagem em alugar a camper van, que nos deu uma liberdade que até então nunca tivemos comparado a outras viagens que fizemos.

Ainda há muito o que explorar por lá e certamente faremos uma visita à “Terra Média” num futuro próximo para continuar explorando esse país tão lindo que nos proporcionou uma experiência incrível! Esperamos você sinta o mesmo se tiver a oportunidade e a felicidade de conhecer esse lugar.

Uma última dica: como a passagem de avião até a NZ é muito cara e há muitos lugares para visitar, se puder, programe-se para ficar pelo menos 20 dias!

Um abraço e ótimas viagens!

Diego e Mariana

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2 comentários sobre “Roteiro de Camper Van pela Nova Zelândia – Parte II

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