Viajando de Camper Van pela Nova Zelândia – Parte I

*Por Mariana e Diego Nakama

Meu nome é Diego e esse é o relato da viagem que eu e minha esposa Mariana fizemos para a Nova Zelândia (NZ). Foram 14 dias de viagem, iremos relatar os locais que visitamos e a nossa experiência em viajar com a “casa na estrada”. Dividimos nosso relato em duas partes, vamos iniciar a primeira?!

A ideia de conhecer a NZ não é incomum para aqueles que são fãs de Senhor dos Anéis ou Hobbits. O nosso interesse pelo país não surgiu de outra forma senão através das lindas cenas e paisagens presentes nos filmes. Para amantes da natureza como nós, a Nova Zelândia se tornou destino certo e conseguimos realizar o sonho de conhecer esse país deslumbrante em diversos aspectos no mês de Abril de 2016.

O país é divido em duas ilhas principais, a Ilha Norte e a Ilha Sul, cada uma com suas belezas e peculiaridades. Conhecemos pouca coisa da Ilha Norte. A maior parte dos nossos passeios foram feitos na Ilha Sul, que é considerada até mesmo para os próprios neo-zelandeses a parte mais bonita do país. Neozelandês não. Kiwi! É assim que o habitante da Nova Zelândia é conhecido. Uma referência à ave, símbolo do país. Você pode ser referir a eles como “Kiwi” sem problema, eles têm orgulho de serem chamados desta forma.

A viagem de ida

Saímos de Florianópolis, passamos por São Paulo e Santiago até chegar à Auckland (ilha norte), a cidade mais populosa da Nova Zelândia que habita cerca de 1/3 da população de todo o país. Logo na chegada fica a primeira dica, tenha em mãos todo o seu plano de viagem: Endereço dos locais de hospedagem, confirmações de reservas de carros, hotéis e passagens. Você pode precisar de tudo isso logo na imigração como aconteceu com a gente. Passamos por um “pente fino” e fizemos uma entrevista onde nos foi perguntado tudo, até mesmo nossa renda no Brasil. Tudo isso para garantir que, um casal de aparência jovem não venha para o país para ficar de maneira ilegal. Portanto, tenha tudo na ponta da língua já na chegada!

Auckland, primeira (e curta) parada

 Chegando à cidade, nossos hosts Alonso, primo da Mariana e Lú, sua esposa, foram nos receber no aeroporto onde desembarcamos por volta das 6h da manhã de sábado. Detalhe, saímos dia 14 de abril (quinta-feira) do Brasil e chegamos no sábado, 16. Praticamente pulamos a sexta-feira 15. Efeito do fuso, que foi compensando na volta, quando se “repete” um dos dias, caso queira considerar isso no seu roteiro.

No sábado pela manhã nossa primeira parada foi no La Cigale Market, Bistro & Cafe para um rápido café da manhã. Aos sábados rola uma feira com vários produtos à venda e muitas comidas feitas na hora. Para quem gosta de um bom croissant e outras especialidades da cozinha francesa, é uma ótima opção para um lanche. Para chegar até lá, o meio de transporte foi o Uber, que funciona super bem por lá. No mesmo sábado à tarde, fomos num churrasco bem brasileiro da empresa do Alonso que era perto do Museu Memorial da Guerra de Auckland. O museu possui muito da cultura do povo Maori, habitantes locais das ilhas antes da colonização britânica. Para quem gosta de história, vale muito a pena. No domingo almoçamos no centro da cidade e passeamos de carro para conhecer alguns bairros. A ideia era visitar o Kelly Tarlton’s SEA LIFE Aquarium, que dizem valer muito a pena, mas estava tão cheio para entrar que desistimos da ideia. Mas ainda assim, esse é um dos principais pontos turísticos da cidade. A dica para visitar o aquário é evitar os horários de pico (das 11h – 16h) ou comprar o ingresso pela internet para não precisar ficar na fila do guichê.

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Região Portuária/Marinas de Auckland
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Estufa de Plantas Tropicais – Auckland

Rotorua e Hobbiton, a Vila dos Hobbits

Na segunda-feira 18 o plano principal foi um bate e volta até Matamata, onde fica a charmosa Vila dos Hobbits, a cerca de 160km ao sul de Auckland. E já que fomos até lá, aproveitamos para andar por mais 60km em direção ao sul de Matamata e conhecer também Rotorua. Em Rotorua, nossa primeira passagem foi pelo Kuirau Park, onde estão localizadas umas “piscinas termais” que apresentam atividade vulcânica, com muita fumaça saindo da terra e deixando um cheirinho bem forte no ar (a lama muito quente das piscinas possui enxofre, que libera um odor característico).

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Rotorua
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Rotorua e as piscinas lamacentas borbulhantes de enxofre

A seguir fomos conhecer o Skyline Rotorua, onde você pode pegar um teleférico para se ter uma vista de toda a região e do grande lago da cidade. Você deve  fazer pelo menos uma (recomendo no mínimo duas devido ao preço do pacote) descida com o Luge, uma espécie de carrinho que você usa pra descer por uma pista de concreto, podendo aproveitar a vista e também a adrenalina da descida. Depois de descer do Skyline fomos até o Rainbow Springs Nature Park, um parque com muitas aves e outros animais nativos, onde você pode ver de perto o Kiwi (animal símbolo da Nova Zelândia). Tem também a Tuatara, um réptil endêmico do país que lembra uma mistura de lagarto com dinossauro e seus detalhes impressionam, sendo de longe o animal que avistamos que mais me fascinou.

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Tuatara

Saindo de Rotorua pegamos o caminho de volta até Matamata, onde tínhamos um passeio agendado para as 16h para Hobbiton, a Vila dos Hobbits. Aqui começava de fato nosso “Tour pela Terra Média”. Para agendar o passeio, você deve fazer a compra pelo site e se dirigir até o centro de Matamata, onde a agência que realiza o passeio oferece ônibus que leva os turistas até o local das filmagens.

Hobbiton é o nome dado ao set de filmagens dos filmes Hobbits e Senhor dos Anéis. Se você é fã das trilogias, o passeio é mais que recomendado. A vila é exatamente como nos filmes, onde mantiveram tudo preservado para visitação do público. É tudo tão bem feito que parece que em algum momento um hobbit vai sair de uma das 39 casinhas que compõe o set. O passeio é guiado e tudo é explicado com detalhes e muitas curiosidades. Ao final do passeio, você ganha um delicioso chopp que é vendido somente lá.

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Hobbiton – A Vila dos Hobbits

Ilha Sul e os Nove Dias de Camper Van

A próxima etapa da nossa viagem foi percorrer a ilha sul com a camper van. Na terça-feira, dia 19, saímos de Auckland e fomos de avião até Christchurch, de onde iniciamos a parte mais aguardada de toda a viagem: conhecer a ilha sul viajando de camper van (uma espécie de motor home, mas de menor tamanho).

Alugamos a camper por meio do site Motorhome Republic e fizemos tudo pela internet antes mesmo de sair do Brasil. Caso decida alugar, fique atento para as condições de seguro do veículo para não ter a surpresa de ter que deixar um depósito caução no seu cartão de crédito de valor bastante salgado (na casa de alguns mil dólares).

A camper que alugamos comportava até 4 pessoas e era completamente equipada, com banheiro, cama, pia, fogão, microondas, forno elétrico e até churrasqueira do lado de fora. Apenas o funcionamento da geladeira foi uma surpresa, ela não gela como deveria quando em movimento, apenas se você mantiver a camper plugada na energia nos campings, mas isso não nos avisaram. Ela mantém uma temperatura levemente fria, o que acabou sendo o suficiente para que as comidas não estragassem (o clima frio de outono também ajudou).

O aluguel da camper foi o que deu a liberdade para explorar a Nova Zelândia, para nós foi uma escolha mais do que acertada. Quando estiver por lá, você vai entender que viajar o país utilizando uma van, seja ela para 2 ou mais pessoas, é uma prática super comum. Nas estradas elas são muitas. E isso se deve muito à infraestrutura que o país oferece para esse tipo de turismo, que é impressionante!

Os kiwis (neozelandeses) valorizam e muito as belezas que o país oferece e fazem o possível para conservá-las. O free camping, permite você acampar em diversos parques, lagos e aproveitar o que a NZ oferece de melhor, exceto quando expressamente proibido pelas placas. E não se preocupe, as placas sempre estarão nesses locais públicos para que você se certifique de que não tomará uma multa por passar a noite em local proibido. Alguns desses locais (não muitos pelo que vimos) só permitem passar a noite as campers chamadas de self cointained, que são as que possuem banheiro, para que o turista não faça suas necessidades nos locais públicos e, com isso, agrida o meio ambiente. Portanto, se pretende passar a noite na beira dos lagos ou em parques, leve isso em consideração.

Sobre a segurança nos locais de acampamento: não poderíamos nos sentir mais seguros. Estamos falando de acampar literalmente na beira de estradas e lagos, locais de pleno acesso para quem quiser entrar. Não é à toa que a NZ é um dos países com melhor qualidade de vida, logo, pode ficar sossegado com relação a isso também. Dificilmente você vai acampar sozinho, sempre tem um vizinho parado junto a você logo ao lado, garantindo um maior conforto para quem não está acostumado com a ideia de dormir num estacionamento, por exemplo.

A camper nos deu a liberdade para explorar a NZ da melhor forma que o pé na estrada pode exigir. Parar na beira de um lago para almoçar? Passar a noite na beira de outro? Bastava decidir onde, verificar pelas placas se era autorizado passar a noite no local e estacionar a van. Algumas noites você precisa parar para dormir nos campings espalhados pelo caminho para que possa recarregar a bateria, que mantém tudo na van funcionando. Mas não precisa ser toda noite, o que ajuda a economizar já que, dependendo do local, a estadia pode chegar a uns 50,00 dólares (NZD). Essa flexibilidade deixou o passeio muito mais prazeroso do que qualquer outro que fizemos anteriormente, onde normalmente alugávamos um carro mais a estadia em um destino pelo caminho.

Além da liberdade oferecida pela camper, um outro motivo que nos levou a alugá-la foi a redução do custo da viagem. Acredito que dificilmente uma viagem nos moldes convencionais, com aluguel de carro mais hospedagem, fosse sair muito mais em conta do que foi. A van é a diesel, rendendo mais por quilômetro rodado, mas o principal foi a questão da alimentação. Com a cozinha toda equipada, bastou passar no supermercado, encher o carrinho de compras (e as opções por lá são ótimas para uma viagem como essa) e fazer tudo “em casa”. Durante nove dias, não fizemos uma refeição sequer fora da van. Café da manhã, almoço e janta, tudo no aconchego do lar móvel temporário, sempre com uma vista ou local diferente. Isso certamente economizou muito comparado à outras viagens semelhantes que fizemos, mas nunca numa camper van. Atenção: sobre o diesel, é cobrado um imposto por quilômetro rodado que você vai ter que pagar quando devolve o veículo. Foi uma surpresa pra mim: O custo total depois de rodar 2.200km foi de 150,00 NZD.

Uma dica super importante para quem for viajar dessa forma é baixar o aplicativo Camper Mate. Ele mostra a localização de praticamente tudo para sua viagem. Localizações dos campings e o que cada um oferece, pontos para despejo de resíduos (banheiro e água da pia, chuveiro), a maioria gratuitos, pontos turísticos como locais que foram usados para filmar principalmente o Senhor dos Anéis. Enfim, ele te permite dirigir tranquilo e planejar sua próxima parada sempre que precisar. Você pode utilizá-lo offline, mas o sinal de celular lá é muito bom e você consegue comprar um chip em qualquer loja para usar pacote de dados, mais uma coisa que recomendo, pois vale a pena.

Resumindo sobre a camper van: liberdade máxima para explorar a NZ, custo menor ou provavelmente o mesmo que uma viagem convencional de carro mais hospedagem, e estar na estrada e em casa ao mesmo tempo. Nossa próxima viagem por lá (sim, já estamos pensando em voltar, pois ainda tem muito o que explorar) provavelmente utilizaremos ela novamente.

Para conferir a II parte deste post e o roteiro que fizemos de camper van pela Nova Zelândia, clique aqui

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4 comentários sobre “Viajando de Camper Van pela Nova Zelândia – Parte I

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