ACABOU! O Rio/2016 já deixa saudades.

Sem título
Cerimônia de Encerramento – Olimpíadas/ Rio 2016

Por Mariana Piana

Passei a minha infância e adolescência vivendo o esporte. Meu avô foi jogador profissional de futebol, meus pais são formados em Educação Física e sempre viveram neste meio. Minha mãe foi professora em escolas públicas e privadas e jogou vôlei até os seus 50 anos, quando disputou o Campeonato Brasileiro Master em Poá/SP. Meu pai trabalhou muitos anos na organização do esporte catarinense, principalmente com esporte escolar, além de ter sido coordenador técnico do voleibol de Santa Catarina. Eu, quando pequena pratiquei alguns – com 7 anos fiz Ginástica Rítmica. Com 10 entrei no vôlei junto com a minha irmã, onde joguei até os 16 anos, competindo Campeonatos Estaduais e treinando diariamente de 3 à 4 horas. Isso sem contar nas manhãs de domingo com a F1 de Ayrton Senna do Brasilllll!

O esporte sempre fez parte da minha vida desde pequena (apesar de hoje estar afastada 😦 ), vai ver que é por isso que me identifico e gosto tanto das Olimpíadas. Foi através dele que descobri o real significado de palavras como: dedicação, disciplina, determinação, companheirismo, coletivo, esforço e equilíbrio emocional. O que ainda hoje, para a minha vida e carreira profissional é de grande importância.

Vi a atuação dos atletas durante os jogos e de alguma forma me emocionei, acho que é porque estou revivendo com eles as emoções que eu vivi. A competição é rápida, mas por trás daqueles minutos, foram anos de muita dedicação, cansaço e na grande maioria das vezes de abdicação pelo esporte. Muitos tiveram dificuldades, não acreditaram, não tiveram apoio financeiro, mas não desistiram e só por estarem participando de um campeonato dessa dimensão, já podem se considerar vencedores.

Vivi intensamente (dentro das minhas possibilidades) o Rio 2016. Não pude estar presente na Cidade Olímpica, mas meu coração estava. Gritei, chorei, me enraiveci, torci, vibrei e me senti muito orgulhosa. Primeiramente pelas grandes vitórias do nosso Brasil com 19 medalhas nas Olimpíadas (13º lugar) e 72 medalhas nas paralimpíadas (8º lugar), mas também pelo lindo espírito coletivo de como tudo aconteceu. Pelo alto nível dos mais de 11 mil competidores, mas também dos bastidores com os mais de 50 mil voluntários.

A experiência emocional é muito maior que os números. Abaixo cito os meus maiores e melhores momentos dos 29 dias (17 Olimpíadas + 12 Paralimpíada) do RIO 2016:

  • As lindas cerimônias de abertura e encerramento das olimpíadas e paralimpíadas. Na abertura das Olimpíadas, chorei com Paulinho da Viola no Hino nacional, com Guga e Vanderlei Cordeiro de Lima na condução da Tocha Olímpica. A brasilidade no encerramento das Olimpíadas foi o ponto alto, mas se me permitem uma crítica, ficaram devendo uma referência ao SUL do Brasil nesta festa. Na cerimônia de abertura das Paralimpíadas a condução da tocha com Márcia Malsar protagonizando o momento mais emocionante da noite;
  • Uma equipe de refugiados participou pela primeira vez de jogos Olímpicos. Já Cerimônia de Abertura das Olimpíadas a atleta síria Yusra Mardini da natação emocionou pela sua história de vida (deixou seu país em um bote e precisou nadar 3 horas junto com a sua irmã para salvar sua vida e mais de 20 pessoas). O Judoca Popole Misenga que nasceu na antiga República Democrática do Congo, veio para o Brasil em 2016 e foi o primeiro refugiado a vencer uma luta olímpica. Na Cerimônia de Abertura das Paralimpíadas a equipe de refugiados que contou com um nadador sírio e um lançador de disco iraniano foi a primeira equipe a entrar no Maracanã, sob o olhar de uma entusiasmada multidão;
  • No tênis: Del Potro ganhando do Nº 1 do mundo, o Djokovic e o eliminando da competição na primeira rodada. O Argentino, com muitas lesões foi contra todas as probabilidades e fez o Djoko deixar a quadra em lágrimas. Não posso deixar de dizer que o Argentino Del Potro também mereceu o ouro, jogou com garra até o último minuto em quadra!
  • Ainda no tênis, Mônica Puig conquistou a primeira medalha de ouro da história de Porto Rico e entrou para a história!
  • Kosovo participando pela primeira vez das Olimpíadas e com um ouro da judoca Majlinda Kelmendi que encantou a todos pelo seu patriotismo;

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    Majlinda Kelmendi chora na hora de ouvir pela primeira vez o hino de Kosovo em uma Olimpíada (Foto: Pascal Le Segretain/Getty Images)
  • Mo Farah, do Reino Unido, um garoto que aos 10 anos fugiu da Somália e ganhou as provas de 5.000 e 10.000 metros do atletismo. O prefeito de Londres, Sadiq Khan, ficou tão orgulhoso que além de postar uma mensagem ao Farah, colocou uma foto dos dois como capa no seu perfil do Facebook;
  • Rafaela da Silva, uma judoca negra, vítima de racismo, homossexual e oriunda da Cidade de Deus. Deu ao Brasil o primeiro ouro nas olimpíadas. Após vitória comentou “Esta medalha é melhor resposta contra violência do Brasil”;
  • O novo record olímpico (6,03 metros) e medalha de ouro no salto com vara para o nosso Tiago Braz, garoto de Marília/SP que ficou conhecido no mundo por fazer um francês favorito chorar e se arruinar com suas declarações deprimentes;
  • A selfie da paz das ginastas Hong Un-jong, da Coreia do Norte e Lee Eun-ju, da Coreia do Sul. Um símbolo do que o espírito olímpico faz pelos povos;
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A selfie da Paz por Dylan Martinez – Reuters
  • O que dizer do esgrimista Jiri Beran? Em uma disputa com o brasileiro Athos Schwantes o tcheco corrigiu o árbitro que tinha dado ponto a favor dele, quando na verdade estava incorreto. Por fim o tcheco perdeu no jogo mas ganhou o respeito de todo o mundo por sua honestidade;
  • A performance das máquinas: Na natação, as cinco medalhas de Katie Ledecky, as cinco de Michael Phelps e as quatro da húngara Katinka Hosszú. As outras cinco de Simone Biles na ginástica. E mais 3 de Usain Bolt no Atletismo;
  • Na ginástica: A performance da nova mascote do Brasil, Flávinha Saraiva, o pódio duplo e emocionante de Nori e Diego Hypólito e a prata de Zanetti nas argolas;
  • Abbey D’Agostino dos EUA e Nikki Hamblin da Nova Zelândia caíram na prova de 5.000 metros do atletismo. Caíram, se machucaram e se ajudaram! Com muito sacrifício chegaram ao final da prova juntas, com os últimos tempos. Se abraçaram e celebraram como vitoriosas. Esta foi pra mim, uma das cenas mais emblemáticas dos Jogos! No penúltimo dia dos jogos (20/08), Nikki e Abbey receberam do COI (Comitê Olímpico Internacional) a medalha de Fair Play pelo gesto honrado que tiveram uma com a outra durante a prova.

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    Da queda à vitória. Duas grandes atletas! Fotos: Reuters
  • Isaquías Queiroz na canoagem: A primeira vez de um brasileiro com três medalhas olímpicas em uma única edição dos Jogos. Antes das conquistas ele enfrentou dificuldades financeiras, a perda do pai e a retirada de um rim. É um guerreiro!
  • A vitória do baiano Robson Conceição no Boxe. A sua garra, vitória, humildade e trajetória (de feirante, vendedor de picolé, ajudante de pedreiro à campeão olímpico) comoveu a todos, inclusive o seu ídolo Popó;
  • Os irmãos: As norte-coreanas Kim Hye-Song e Kim Hye Gyong cruzaram juntas a linha de chegada da maratona da Rio/2016, chegando em 10º e 11º lugar e as gêmeas alemãs Lisa Hahner e Anna Hahner de mãos dadas em 81º e 82º lugar. Na mesma prova, as irmãs Leila, Lina e Lily Luik, da Estônia, chamaram a atenção por se tornarem as primeiras trigêmeas a participar juntas de uma maratona olímpica. Nas paralimpíadas os irmãos brasileiros Silvânia Costa e Ricardo Costa foram ouro no salto em distância. Ainda nas Paralimpíadas a Bocha em dupla nos proporcionou uma emoção sem igual na comemoração do ouro com os irmãos Antônio e Fernando Leme.  Que genética campeã!;
  • O choque cultural na disputa no vôlei de praia entre uma dupla alemã e outra egípcia  (Doaa Elgobashy e Nada Meawad), onde pela primeira vez  o tipo de veste muçulmana foi permitida no esporte;

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    Foto: Ricardo Morais – Reuters
  • O iraniano Mohammad Moradi, na maratona masculina, caiu a poucos metros da linha de chegada e cruzou a meta de joelhos, muito esgotado e resistindo com coragem até a linha final, terminou a prova na 129ª posição e vitorioso como um grande campeão;
  • O atleta polonês, Piotr Malachowski que leiloou a medalha de prata para ajudar crianças com câncer no seu país. Que exemplo!
  • O atleta etíope, Feyisa Lilesa que ganhou prata na prova da maratona, após a chegada fez um gesto (bastante conhecido na sua comunidade Oromo) em protesto contra as repressões violentas das autoridades às manifestações do seu povo. Depois declarou  “Talvez me matem quando eu voltar. Se não, eles vão me colocar na prisão ou vão me barrar no aeroporto e me forçar a deixar o país”. Uma semana depois desta declaração, em 28/08/2016, uma campanha de financiamento coletivo na internet já tinha arrecadado a meta, mais de 150 mil dólares para ajudar o maratonista. #internetlover!

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    O gesto que pode custar a sua liberdade por Sergio Moraes/ Reuters
  • A frieza do ginasta norte-coreano Ri Se-gwang que não demonstrou emoção em nenhum momento durante as suas apresentações. Ganhou o ouro no salto e durante o hino realizou uma saudação miliar em honra ao líder Kim Jong-Un. No final disse “A medalha não representa nada pra mim, é um presente que ofereço ao meu país”.
  • Jogos do Amor: Foram seis pedidos de casamento dentro da Vila dos Atletas e um casamento realizado –  a levantadora do time de vôlei argentino, Yael Castiglione se casou com o brasileiro ex-jogador de vôlei Marcus Eloe em uma cerimônia budista dentro da Vila Olímpica; Nas Paralimpíadas um beijo roubou a cena. Foi entre o jogador de basquete de cadeira de rodas da seleção paralímpica do Canadá Adam Lancia e da sua esposa, a também jogadora da delegação canadense Jamey Jewells;

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    Sem legendas, apenas amor sem limites ❤ Foto: Ueslei Marcelino/ Reuters
  • Na natação houveram vários empates, inclusive um triplo na prova masculina dos 100m borboleta com tempo de 51.14s. Dividiram o pódio o americano Michael Phelps, o sul-africano Chad Le Clos e o húngaro Laszlo Cseh. 
  • Os meninos do vôlei de Ouro do Brasil. E a triste despedida do Serginho;
  • Os ex-atletas que foram comentaristas ganharam espaço nesta competição, com destaque para meu conterrâneo Gustavo Kuerten, vulgo Guga ou labrador humano ❤ ;
  • As tragédias: além de todas as emoções que os jogos trouxeram, nós vivemos dois momentos trágicos: Nas Olimpíadas o falecimento do alemão Stefan Henze, prata em Atenas 2004 e integrante da comissão técnica do time de canoagem da Alemanha. Nas Paralimpíadas o falecimento do ciclista iraniano Bahman Golbarnezhad. Muito triste!;
  • As lesões H-O-R-R-Í-V-E-I-S: no levantamento de peso com o armênio Andranik Karapetyan, na ginasta com francês Samir Ait Said e com a brasileira Jade Barbosa, no ciclismo com a holandesa Annemiek van Vleuten, na prova de hipismo do pentatlo moderno com a cubana Leydi Laura Moya. A seguir cenas fortes:
  • As duplas de ouro do Brasil com Alison e Bruno Schmidt no vôlei de praia e Martine Grael e Kahena Kunze na Vela.
  • Na Natação, o brasileiro Daniel Dias um dos grandes destaques das Paralimpíadas do Rio/2016. Ele é o mais vitorioso da história da natação paraolímpica com 23 medalhas obtidas em todas as edições que participou. Só no Rio/2016 foram 8 medalhas. Ainda na natação, o grande ídolo e tubarão das piscinas, Clodoaldo Silva anunciou sua aposentadoria depois de cinco jogos paralímpicos e 14 medalhas conquistadas;
  • Como não se inspirar nos atletas paralímpicos? O Brasil pela primeira vez participou das 22 modalidades com 287 atletas e 23 acompanhantes (atletas-guia, calheiros e goleiros). Superação, Inclusão e Igualdade são as grandes lições.
  • Nas paralimpíadas muitas histórias de superação e de vida! Aqui cito apenas duas, mas todos mereciam destaque. Teve a belga do atletismo Marieke Vervoort que foi prata na prova de 400m e cansada das dores insuportáveis que sente, optou por uma medida drástica: a eutanásia, que ainda não tem data pra ocorrer. Outro grande exemplo é o atleta egípcio do tênis de mesa, Ibrahim Hamadtou que sem os braços joga com o pé e a  boca;
  • E por fim, as dançinhas de dois atletas do levantamento de peso: Nijat Rahimov do Casaquistão e David Katoatau do Kiribati, foi demaisss!!!!  

O Rio foi muito criticado no Brasil e internacionalmente antes dos jogos, diziam não estar preparado e com muitos problemas estruturais. Não vou entrar em méritos políticos, que renderiam outro post, mas de fato, nos primeiros dias houveram inúmeros problemas, principalmente nas instalações dos atletas na Vila Olímpica e as enormes filas para entrar no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca. As reclamações foram sendo sanadas ao longo dos dias e o clima olímpico, após a cerimônia de abertura tomou conta do mundo! E as Olimpíadas do Brasil foi um sucesso para o alívio da nação (e sem nenhum caso de Zica Vírus)! 

Um dia após o termino das Olimpíadas, dia 22/08/2016, uma Propaganda da NBC na contracapa do The New York Times (EUA) dizia “Olimpíada do Rio foi o evento de maior sucesso da história da mídia”. Outras mídias internacionais também se renderam aos encantos do Rio/2016.

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Foto: Guga Chacra

Uma das grandes conquistas do Rio 2016 foram as M-U-L-H-E-R-E-S. Elas fizeram história nestes jogos olímpicos (com a maior participação feminina de todas as edições, 45% dos atletas) e paralímpicos. Nunca ouvimos tanto sobre a garra e foco das atletas em uma olimpíada. É certo que as mulheres deram um show nos esportes e foram protagonistas com quebra de recordes e conquistas inéditas, além é claro das suas atitudes e histórias de superação e de vida. Temos inúmeros exemplos, como:

  • A belíssima Seleção Feminina de Futebol, que mesmo sem salário e patrocínio conquistaram o público. Formiga é a única jogadora que jogou em todas as edições do torneio olímpico e se despediu da seleção. Cristiane se tornou a maior artilheira da história do futebol olímpico, com 14 gols e Marta é a nossa melhor do mundo;
  • A atleta síria Yusra Mardini da natação emocionou a todos desde a abertura das Olimpíadas pela sua história de vida (deixou seu país em um bote e precisou nadar 3 horas junto com a sua irmã para salvar sua vida e mais de 20 pessoas);
  • Fabienne St Louis, triatleta de Mauritius: foi diagnosticada com câncer, mas isso não a impediu de participar dos jogos;
  • A nadadora nepalesa Gaurika Singh é a mais jovem do Rio, com apenas 13 anos. Ela é a primeira representante do país na natação olímpica. Depois de sobreviver ao terremoto de 2015 que atinguiu o Nepal, ela doou todos os seus prêmios pra a reconstrução de escolas.
  • A Goleira do Handebol da Angola, Teresa Almeida e a Ginasta Mexicana,  Alexa Moreno – duas atletas que mostraram que não é preciso ter um corpo atlético ou magro para praticar esportes.
  • Simone Biles, a grande ginasta americana disparou a melhor frase das Olimpíadas:”Eu não sou o próximo Usain Bolt ou Michael Phelps. Sou a primeira Simone Biles”;.
  • A dobradinha do pódio de ouro na natação com Simone Manuel (EUA) e Penny Oleksiak (Canadá). Elas chegaram juntas com exatos 52s70 e dividem o novo recorde olímpico. Aliás, Simone Manuel foi a primeira nadadora negra a ganhar ouro para os EUA. Ela aproveitou a vitória para falar sobre a violência da polícia americana contra os jovens negros nos EUA.
  • Oksana Chusovitina a ginasta do Uzbequistão de 41 anos. Brilhou e foi para a final do salto sobre o cavalo. Ela se despediu da ginástica no Rio/2016;
  • Caster Semenya representante do atletismo pela Africa do Sul e hermafrodita (intersexual com hiperandrogenismo), ficou em primeiro lugar nos 800 metros do atletismo. Uma foto me chocou, a que ela após vencer a prova foi cumprimentar as adversárias e foi ignorada pelas atletas Lynsey Sharp, britânica e a canadiana Melissa Bishop, que alegam que o hiperandrogenismo de Semenya lhe confere vantagens nas competições.

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    Esta não é o Espírito Olímpico! Foto: Reuters
  • A atleta Etenesh Diro, da Etiópia, perde o tênis durante a prova e conclui descalça como exemplo de muita garra e força de vontade;
  • Na esgrima a atleta Ibtihaj Muhammad foi a primeira atleta americana a participar das Olimpíadas usando um hijab. Ela usou a vestimenta durante as competições e no pódio para receber o bronze;
  • O choque cultural: Nas arenas do vôlei a egípcia Doaa Elghobashy, no atletismo a representante da Arábia Saudita – Kariman Abuljadayel, no remo com a iraniana Mahsa Javer e no taekwondo com a iraniana Kimia Alizadeh Zenoorin: elas mostraram que a religião acompanha o esporte e que o jihad não atrapalha em nada, Kimia, por exemplo, ganhou uma medalha olímpica no Rio e foi a primeira mulher do Irã a conquistar este feito.
  • Sara Ahmed se tornou a primeira mulher árabe a ganhar uma medalha olímpica no levantamento de peso e também a primeira mulher egípcia a subir em um pódio olímpico;
  • Joanna Maranhão, da natação: Após sofrer diversos insultos e agressões nas redes sociais, se destacou pelas suas declarações fora das piscinas, inclusive se redimindo das suas atitudes homofóbicas do passado, afinal todos erram e o importante é aprender com os erros e assim não repetir.
  • Filha de um ex-chefe do tráfico da favela Chacrinha em Jacarepaguá, Lohaynny Vicente fez história como a primeira brasileira a jogar badminton em uma Olimpíada. Ela e a Irmã (Luana) foram medalhistas nas duplas do Pan-Americano em 2015.

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    Lohaynny no seu primeiro jogo das Olimpíadas do Rio/2016.     Foto: Luciano Belford/ Frame Photo/Ag O Globo

Desde o primeiro dia das olimpíadas (dia 05/08) até o encerramento das paralimpíadas (18/09) as redes sociais enlouqueceram com os comentaristas esportivos e suas narrações machistas. Muitas clipagens circularam na internet, acumulando exemplos escrachados em matérias jornalísticas sobre as Olimpíadas do Rio 2016, no mundo todo. O fato é que os comentaristas esportivos (que são também formadores de opinião) não possuem o mínimo de conhecimento a respeito do assunto ~mulheres no esporte~ e quando são questionados ou emparedados não fazem nenhuma questão de se retratar. Ainda assim e apesar da constante aparição deste tema nas mídias, existe um bom caminho a ser percorrido em busca da igualdade de gênero, mas as Olimpíadas do Rio me deram esperanças num futuro promissor neste debate.

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Uma das imagens emblemáticas destas Olimpíadas: a camisa do Brasil com o nome do Neymar riscado e escrito Marta ❤

O tão falado “Legado Olímpico” no Brasil esta apenas começando. As Olimpíadas foram apenas o ponto de partida. Precisamos conhecer e reconhecer mais nossos atletas – quem conhecia antes dos jogos exemplos como Robson Conceição? Isaquias Queiroz? E a Rafaela da Silva? Eles levaram o esporte brasileiro a um novo patamar.

O esporte faz muito pelas pessoas, conduz muitas vidas pro caminho do bem e ensina muitos exemplos bons (na minha formação foram inúmeras). Mais do que as instalações que ficam na cidade do Rio de Janeiro e o que ela pode proporcionar à esportistas do Brasil, mais do que as revitalizações importantes que estavam sendo adiadas há muito tempo, mais que a construção de metrô e de habitações a preços populares. O maior patrimônio que temos é imaterial. É a autoconfiança de uma nação, a magia do esporte através de projetos esportivos (como por exemplo o GEOque podem enfim sair do papel e a inspiração para milhares de pessoas e novas gerações.

Rio, você já deixa saudades! Rumo à Toquio 2020!

E você, tem mais algum momento especial das Olimpíadas/Paralimpíadas pra acrescentar nestas listinhas? Comente!

 

 

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